Verdade seja dita, adoro final de ano... Esse frenesi maluco
e uma sensação meio boba de esperança renovada! Uma certeza de que estamos
trocando de pele, de que a mudança numérica no ano muda algo, mesmo que
invisível, em nós!
Os últimos dias de dezembro são como um baú pesado que
carregamos nas costas pelas ruas... E mesmo sendo pesado, carregamos felizes
porque sabemos que em qualquer momento teremos uma oportunidade para abri-lo e exibi-lo
a alguém. E aí sorrimos, suspiramos de saudade, choramos ressentidos, rimos
infantilizados dessa capacidade que temos de sermos felizes agora e muito
tristes depois... De termos muita raiva e muito amor, de não gostarmos e
amarmos logo em seguida, de brigarmos e depois sentirmos saudade... De sermos
tal como a água, entrando pelas frestas, paradas em alguma barreira,
devastadoras ou plácidas, de sermos simplesmente seres mutáveis.
O final de ano é isso: uma capacidade louca que temos de
mudar, de acreditar, de termos uma ilusão necessária para viver! De acharmos
mesmo que o próximo ano vai ser bem melhor do que o ano que passou...
Uma vontade louca de acreditar que aqueles que se foram nos
olham de algum lugar, de que os bens que perdemos serão reconquistados de
alguma forma, de que o amor perdido será reavivado... Alguém duvida? Eu não.
Não duvido da capacidade da fé, que nos empurra na direção
do improvável, que nos motiva e nos renova, seja no Natal, num aniversário, na
virada de um ano ou em qualquer outro dia que escolhermos para acreditar que,
magicamente, as coisas mudam!
No encerrar de mais um ano, é bom sentir que fui feliz e
triste muitas vezes. Isso é humano!
Boas festas!

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