14 Fevereiro 2012

De jacaré a rainha de bateria...

Jacaroas na Sapucaí
Carnaval chegando... E você aí pensando quantas folias boas já teve na vida! Já foi para o interior e beijou 17 num dia... Já ficou sem grana e não foi para lugar nenhum... Ficou na sua cidade e o carnaval nem aconteceu de fato... Foi para Salvador e voltou rouca! Foi para Olinda e se apaixonou pelo rapaz que vestia o bonecão! E, finalmente, foi para o Rio e se esbaldou nos blocos de rua... Porém, todavia, entretanto... Seja sincera: já desfilou na Sapucaí? Se você não, meu bem, desculpe, mas eu já! 
Carnaval de 2010, uma amiga e eu... Evitamos comentar sobre o assunto, porque sabemos como tem gente invejosa nesse mundo! Mas, passamos pela catedral do carnaval... Verdade seja dita, foi na terça-feira às 5 horas da matina – quase quarta-feira de cinzas – por uma escola do grupo C ou D, não lembro bem! Escola de samba do grupo C ou D é o mesmo que torcer para o Maga de Santa Catarina que nunca se quer empatou um jogo! Tudo bem que algumas fantasias de escolas do grupo A, tal como a Mangueira, saem até por R$800.00 e a minha completa, incluindo o sapato, saiu por R$20.00 ... Isso de fato é irrelevante! E também não faz muita diferença, que a Sapucaí estava assim meio vazia digamos, com a presença de umas cinquenta pessoas da comunidade a qual pertencia a gremiação. Qual o problema não é? Só porque estávamos vestidas de jacarés, terninho branco com detalhes cor-de-rosa e uma cabeça verde enorme que impedia qualquer movimento mais animado... Detalhes tão pequenos, cantaria o rei Roberto Carlos! 
Assim como foi pequena minúcia que a letra de samba não foi decorada por ninguém da nossa ala e todos só faziam movimentos com a boca... Confesso que fiquei com pena do rapaz que organizava nosso grupo, gritando desesperado para que ficássemos em filas e cantássemos juntos a letra! Ali no meio de nós, jacarés equatorianos, irlandeses e americanos, tentando viver a experiência brasileira do carnaval na Sapucaí e uma pequena porção de gente na plateia sem entender o que era aquela ala de répteis confusos! Eu, que nesse momento nem mais podia olhar para a plateia com medo da minha cabeça verde despencar pela avenida, mal mexia os dedinhos e só pedia a Deus para chegar ao final... O que aconteceu, creio eu, somente na semana santa, pelo tanto que demorou! 
Final da Sapucaí, fantasia despida, missão cumprida, fui para a casa de minha amiga no bairro de Laranjeiras, resgatar o que tinha sobrado daqueles dias de folia! E sabendo eu, que muita princesa já foi plebeia e que rainha de bateria termina na ala das baianas, a única coisa que importa nessa vida, é o humor e as boas histórias para contar, seja pela Mangueira ou pela Unidos do Jacarezinho! Tenho dito.

09 Janeiro 2012

Lembrete de ano novo

Todos  os dias é necessária uma pequena mudança na vida! Que seja o caminho que fazemos de casa ao trabalho, o papel de parede do computador ou a música do nosso despertador.  Novas cores, um novo olhar, um jeito melhor de enxergar o outro... Colorir a vida com pequenas novidades, faz bem para a memória e para o coração! #ficaadica

23 Dezembro 2011

Renovação

Verdade seja dita, adoro final de ano... Esse frenesi maluco e uma sensação meio boba de esperança renovada! Uma certeza de que estamos trocando de pele, de que a mudança numérica no ano muda algo, mesmo que invisível, em nós!
Os últimos dias de dezembro são como um baú pesado que carregamos nas costas pelas ruas... E mesmo sendo pesado, carregamos felizes porque sabemos que em qualquer momento teremos uma oportunidade para abri-lo e exibi-lo a alguém. E aí sorrimos, suspiramos de saudade, choramos ressentidos, rimos infantilizados dessa capacidade que temos de sermos felizes agora e muito tristes depois... De termos muita raiva e muito amor, de não gostarmos e amarmos logo em seguida, de brigarmos e depois sentirmos saudade... De sermos tal como a água, entrando pelas frestas, paradas em alguma barreira, devastadoras ou plácidas, de sermos simplesmente seres mutáveis.
O final de ano é isso: uma capacidade louca que temos de mudar, de acreditar, de termos uma ilusão necessária para viver! De acharmos mesmo que o próximo ano vai ser bem melhor do que o ano que passou...
Uma vontade louca de acreditar que aqueles que se foram nos olham de algum lugar, de que os bens que perdemos serão reconquistados de alguma forma, de que o amor perdido será reavivado...  Alguém duvida? Eu não.
Não duvido da capacidade da fé, que nos empurra na direção do improvável, que nos motiva e nos renova, seja no Natal, num aniversário, na virada de um ano ou em qualquer outro dia que escolhermos para acreditar que, magicamente, as coisas mudam!
No encerrar de mais um ano, é bom sentir que fui feliz e triste muitas vezes. Isso é humano!
Boas festas!

15 Dezembro 2011

Minha carta para Papai Noel


Querido Papai Noel!
Como vai?
Conseguiu acabar com essa barriguinha? Lembre-se que o doutor alertou sobre o risco de infarto em homens com circunferência abdominal acima de 90 cm... E o senhor, convenhamos, está bem acima disso! Mas, deixando sua saúde de lado, escrevo-lhe com objetivo de fazer um desabafo!
O início de 2011 foi estranho para mim! Na meia-noite de 2010 para 2011 levei um tombo bem na hora da virada! Eu estava de vestido vermelho para atrair o amor e pouquíssimas bebidas na cabeça, felicitei a primeira pessoa, e sabe lá como, caí de bunda no chão. Fiquei com medo, confesso! Pensei: ou esse ano vai ser uma m#@$% ou vai ser demais!  Passado o vexame dos primeiros minutos do ano, o calendário correu... voou!
Em fevereiro carnaval,  em abril a Semana Santa e lá para o meio do ano 150 dias sem chuva em boa parte de Minas Gerais! Você, que nessa época devia estar no aquecedor do seu doce lar, de bermuda e chinelos, gerenciando a fábrica de brinquedos, deve ter ficado sabendo!  Ao invés de neve, caíam cinzas das queimadas que ocorriam há quilômetros de distância e que o vento trazia a nossa porta... Enfim, verdade seja dita: ninguém estava lembrando do senhor nesses tempos de baixa umidade do ar!
Agora em contrapartida, chegado os últimos meses do ano têm chovido muito! São Pedro, talvez pela idade avançada, está meio destemperado, e ou seca total ou manda chuva que não acaba mais! Caso você tenha o contato dele, gentileza enviar e-mail, cujo assunto deve ser “Que tal tempo bom, Pedroca?”
No mais, querido Papai Noel, eu bem sei que dezembro é um mês meio injusto para mim.. Faço aniversário seis dias antes do Natal e muita gente insiste em me dar só um presente... Inclusive o senhor! Desculpe o desabafo, mas isso está entalado na garganta há anos! Mas, como sou boa menina,  sei perdoar! Além do mais, me comportei muito bem durante todo o ano,  levando a pior em algumas vezes! Sendo assim, acho justo que nessa chuvarada toda ou o senhor me dá um carro zero quilômetro ou uma galocha de borracha. Pode escolher! Chegar no trabalho feito cachorro molhado é que não quero mais!

P.S. Desculpe a dureza das palavras, mas quando fui branda nas cartas dos anos anteriores, o senhor só respondeu “Hou hou hou” ... Sinceramente, CANSEI! #prontofalei

Abraços carinhosos,
Cristiane Mendonça.

11 Novembro 2011

Táticas de comunicação

A cada dois anos a turma da faculdade de Betinho se encontrava. O segundo sábado de julho, às 11h no Clube Social, era reservado para a turma dos Jornalistas do Apocalipse! O nome foi uma constatação feita depois de 05 anos de formados que, ou continuavam pobres ou mal pagos, e em boa parte, com notícias ruins para dar!
Em dois anos, nasciam bebês, uns casavam, outros separavam e os mais espertos continuavam solteiros. Não era o caso de Betinho! Casado, na mesma revista desde que se formou, ele mantinha uma vida nem um pouco rotineira de editor-executivo. Horas a fio de trabalho, almoços no lanche da tarde, cafés da manhã durante o almoço e cervejinhas no fechamento da edição. 
Em meio a tribulação do dia-a-dia, Betinho lembrou-se que o reencontro da turma se aproximava  e ele havia, nos dois últimos anos adquirido uma barriga redonda e saliente.
"Imagina só se o Carlão, que de jornalista formado virou dono de academia, me vê com essa pança?" _pensou o coitado.
"Pior vai ser a Sílvia, que adorava elogiar minha boa forma na faculdade!"_refletiu um Betinho dos "tempos de pegador".
Resoluto, fez lá uma ligação e saiu mais cedo da redação naquele dia. Foi no salão, pintou os cabelos pretos de um "loiro meio pagodeiro". 
A esposa gritou quando viu...Perguntou se tinha sido assalto seguido de técnicas de violência. Betinho só riu!
Na festa, a turma toda reunida. Betinho foi o que mais, obviamente, chamou a atenção.
"Que cabelo é esse, cara?"
"Pirou Betinho!"
"Tira uma foto comigo! haha"
"O deadline subiu à sua casa!"
Alheio às piadas e feliz com o sucesso, Betinho chamou a esposa ao pé do ouvido e disse:
_Pintei o meu cabelo e ninguém reparou na minha barriga! Ponto pra mim!